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Hoje eu evito qualquer coisa que possa me tirar do estado de equilibrio, qualquer coisa que possa me tira do sério, qualquer coisa que possa corromper minha paciência, que possa turvar minha visão e minha contemplação pura e ingênua. Eu evito e fujo como o diabo foge da cruz, de qualquer coisa que possa transformar meu mundinho misantrópico em coisa parecido com o que chamam de agrupamentos. Por isso mesmo eu não gosto de automoveis, dirigir me deixa estressado, me faz ficar angustiado, com raiva, muitas vezes impaciênte. Por isso mesmo eu não gosto de multidão, do alvoroço, da balbúrdia ou qualquer coisa que pareça com uma agremiação desnecessária. É por isso que evito pessoas agitadas demais no seu dia-a-dia, preocupadas demais com qualquer tolice, seja dinheiro, saúde ou emprego, que sejam angustiadas demais com eventos que não são o esperado ou que não foi igual aos seus desejos. Por isso mesmo eu não gosto dos bajuladores de plantão, dos cordeirinhos de carteirinha que seguem qualquer discurso, não gosto daqueles que tendem a se medir por regras de condutas e certos valores, como se esses fossem categóricos e infalíveis. Assim, sigo evitando o gostar demais, o desejar demais, o querer demais, o apego demasiadamente escusado. Preferiria não ser, mas se sou, que pelo menos eu passe o mais desapercebido possível dessas coisas que eu ainda consigo evitar.
AUTOR: JB

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